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Termo ferramenta: Interseccionalidade

Caetano Mondadori
Caetano Mondadori

Quem gosta um pouco de cinema vai identificar de cara essas duas personagens que trazemos para a publicação de hoje: de um lado, a icônica Scarlett O’hara, interpretada pela ainda mais icônica Vivien Leigh; de outro, a simpática Mammy, papel que deu o oscar de melhor atriz coadjuvante a Hattie McDaniel – na primeira vez em que um afrodescendente recebeu a honraria na história do cinema americano. Por causa das leis segregacionistas da época, porém, Hattie não pode comparecer à premiação, ficando impedida de comemorar junto a seus colegas brancos de elenco. A imagem dessas duas mulheres juntas é um símbolo para entender porquê a teoria interseccional é tão importante.

De maneira bem didática, pode-se dizer que a interseccionalidade estuda a inter-relação de fatores que constituem a experiência social dos sujeitos na sociedade. Achou complexo? Vamos tentar simplificar.

A teoria surgiu em meados dos anos 1960 e 1970, no seio do movimento feminista negro norte-americano, como uma forma de destacar que não havia uma experiência homogênea entre as mulheres, já que fatores como raça ou classe também contribuíam para influenciar o modo como as mulheres eram encaradas e tratadas na sociedade. Desse modo, as mulheres negras, pobres e não alfabetizadas, por exemplo, eram um alvo muito mais exposto à violência de gênero do que mulheres brancas, de classes favorecidas e escolarizadas.

A partir da perspectiva interseccional, a relação de classe, gênero, escolaridade e raça, entre outros, ficou evidente e passou a ser considerada fundamental para entender como a opressão atua em diferentes frentes, de modo dinâmico e complexo. Por esse motivo, tornou-se impossível falar em um único feminismo, por exemplo, sem incorrer em generalizações ou em um reducionismo das múltiplas vivências das mulheres ao redor do globo.

A teoria foi uma grande avanço semântico e político que contribuiu, por um lado, para que os movimentos sociais se tornassem mais inclusivos; por outro, para que suas pautas tivessem maior abrangência e eficácia.

Na escrita de uma redação, o termo interseccionalidade pode ser utilizado para aprofundar o debate sobre a opressão aos grupos marginalizados, questionando a unilateralidade com que essas questões são tratadas e destacando que o preconceito não ocorre de forma isolada, mas de modo dinâmico. O termo é importante, enfim, para demonstrar a multiplicidade de fatores que compõem o fenômeno social, deixando claro, ainda, que se pode ir sempre além na compreensão e análise de um fato.

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