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Coisas muito inteligentes que ninguém percebe em AS BRANQUELAS

Caetano Mondadori
Caetano Mondadori

O filme AS BRANQUELAS é um sucesso de público no Brasil, mas a verdade é que a maioria dos que se dizem intelectuais torce o nariz para esse filme por ele ser uma comédia tosca e escatológica. As críticas que essa obra sofre são tão constantes, que muitos alunos acreditam que sequer poderiam citar o filme em uma redação de vestibular.

Como sempre defendo em minhas aulas de redação, no Enem, assim como em muitas outras provas de redação, o que vale não é a suposta qualidade da citação. O que conta mesmo na hora da correção é a sua capacidade de conseguir relacionar o repertório escolhido com o tema abordado e, a partir dessa relação estabelecida, produzir algum tipo de conhecimento.

É justamente por isso que separamos uma lista de características do filme que mostram críticas muito relevantes sobre questões raciais.

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1) É inspirado em um clássico do cinema

Quando alguém falar que AS BRANQUELAS é um filme bobo, diga para esse ser humano que esse filme é uma inspiração na clássica comédia QUANTO MAIS QUENTE MELHOR de 1959. Esse famoso filme norte americano com Marilyn Monroe, Tony Curtis e Jack Lemmon foi a primeira narrativa em que dois personagens masculinos se vestiram de mulher.

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Montagem artística com cenas do filme QUANTO MAIS QUENTE MELHOR de 1959

2) É uma crítica a uma prática racista

Durante muitos anos, atores e atrizes brancos interpretavam personagens de homens e mulheres negros na tela e nos palcos. Para isso, esses atores pintavam seus rostos com tinta preta, prática que ficou conhecida como “black face”. A ideia racista por traz dessa prática é que pessoas negras não podiam interpretar a si mesmas por supostamente não serem competentes para isso e atores brancos faziam essa interpretação ao traçar características caricatas sobre a cultura preta.

Nada pode ser mais tosco do que uma pessoa branca “pintada” de pessoa preta, né? Então, as AS BRANQUELAS acaba sendo uma ironia a isso. Quando dois homens pretos usam maquiagem para se passar por jovens brancas ricas em situações absurdas e ridículas, cria-se também uma crítica a própria lógica do “black face” que, infelizmente, era feito de forma séria, sem que ninguém percebesse seu racismo claro.

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montagem com diferentes atores brancos interpretando personagens negros com o uso de “blackface”

3) Negação a aculturação

Quando os agentes Kevin e Marcus Copeland estão fantasiados de Brittany e Tiffany Wilson, eles precisam se portar como duas jovens brancas de classe média. Assim, eles precisam reproduzir os valores daquele grupo. No entanto, não é isso que fazem. Ao invés de ouvir as musicas pops de seu grupo de amigas, os dois apresentam o rap para as outras jovens. Essa situação mostra uma negação a aculturação, que seria o processo de abrir mão de sua identidade cultural.

4) Latrell é uma crítica profunda

“O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos.” Essa frase da filósofa Simone de Beauvoir serve perfeitamente para ilustrar o personagem Latrell em AS BRANQUELAS, vivido pelo ator Terry Crews, que a gente conhece no Brasil como “o pai do Chris”.

A frase de Beauvoir explica a personalidade desse personagem. Como homem negro, Latrell não deseja combater o racismo, mas apenas deseja ser cúmplice desse processo ao almejar estar no ambiente das pessoas brancas e se relacionar com uma mulher que não seja negra.

De muitas formas, o filme foi entendido apenas como um reforço machista a uma visão objetificadora das mulheres, mas é justamente o contrário. O próprio ator Terry Crews é um ferrenho defensor do questionamento da masculinidade tóxica. Abaixo, deixamos um vídeo dele falando sobre sua realidade de abuso que sofreu na infância.

Assim, o filme AS BRANQUELAS, pode ser entendido como uma crítica a imagem do homem negro hiper sexualizado. Ao invés de compreendermos Latrell como um reforço a essa imagem e rirmos de seu estereótipo, podemos compreender que são os roteiristas negros do filme que estão rindo de uma classe média branca que não consegue observar o absurdo das caricaturas que impõe sobre a comunidade negra. Fica aí a reflexão.

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